Texto 1. (Arthur da Távola. Em
flagrante.Rio de Janeiro.Bluhm,2000.p.61.)
Quarta-feira, hora melancólica das cinco e meia,
quando chove. Choveu úmido e frio naquela tarde antes sufocante de novembro.
Ela caminhava na direção do metrô, os sapatos molhados. Pelo menos o metrô lhe
parecia um progresso no meio dos tempos decadentes. Dava-lhe a sensação de
estar em outro país. A decadência em torno a assustava. Texto 2. (Moacyr Scliar)
Nos sete primeiros
assaltos, Raul foi duramente castigado.Não era de espantar:estava inteiramente
fora de forma.Meses de indolência e até de devassidão tinham produzidos sérios
efeitos.O combativo boxeador de outrora,o homem que, para muitos, fora estrela
do pugilismo mundial, estava reduzido a um verdadeiro trapo.O público não tinha
a menor complacência com ele: sucediam-se as vaias e os palavrões.Texto 3.(Jesse Navarro)
Não é para me gabar, mas eu sempre tive motivos
de sobra para me considerar um ídolo das meninas do meu colégio. Sou alto,
loiro, forte e supercobra no vôlei e no basquete. Isso me tornava um cara
paqueradíssimo, que podia namorar ora uma, ora outra. Fidelidade eu só mostrava
pela motocicleta que ganhara do meu pai (apesar dos protestos da minha mãe).
Era uma CB400 transadíssima, e em volta dela normalmente se formava uma rodinha
de meninas à espera de carona, no final das aulas.
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